Hieronymus Bosch (1460-1516), Cristo Levando a CruzPARA LÁ DO HORIZONTE
Vagabunda
(amarrada a um assento duro de vida cronometrada)
sou a errância confusa da mente apertada
em parafusos lógicos
e solto-me sempre
(nas linhas do pensamento)
e vejo a estrada
sempre a estrada
como metáfora de sonhos
pendurados no futuro
e amordaçados no passado
O presente
(é a armadilha do tempo
incrustado em pequenos oásis de brilho
entretecidos num cansaço sem apelo)
e eu queria poder fugir
desta armadura de regras e horas
deste contínuo vozear das leis dos outros
que eu não quero
que eu não quis
As obras estão feitas
e contudo
repousam ocultas
dos olhos viscosos
(aptos
na arte de corromper tudo o que afagam)
e expulso-os
a todos
(vilões ou heróis)
todos eles borrões
quando de mim se afastam
envolvidos numa névoa suja
Vagabunda
(sim
errante)
para lá do pensamento
da sinfonia das horas
do mortal cansaço das manhãs soturnas
(sempre iguais) e contudo
refulgentes num qualquer arco-íris
escondido para lá do horizonte
REGINA SARDOEIRA
1 comentário:
parabens
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