segunda-feira, 16 de março de 2009

«BLACK AND WHITE NIGHT» - «ROY ORBISON & FRIENDS» ( 1983 )








IMAGE ( ENTERTAINMENT ) www.image_entertainment.co
AVIVA ( INTERNATIONAL )
BARBARA ORBISON ( PRODUCTIONS BO )
ORBISON ( RECORDS )

DVD

T. BONE BURNET
BRUCE SPRINGSTEEN
TOM WAITS
BONNIE RAITT
ELVIS COSTELLO
K. D. LANG
JACKSON BROWNE
JENNIFFER WARNES
JAMES BURTON
JOHN DAVID SOUTHER
STEVEN SOLES
GLEN HARDIN
JERRY SCEFF
RON TUTT

«BAND»

ALEX ACUNA - PERCUSSION
MIKE UTLEY - KEYBOARDS
PAVEL FARKAS - VIOLIN
PETER HATCH - VIOLA
EZRA KLIGER - VIOLIN
JIMBO ROSS - VIOLIN
SID PAGE - CONCERT MASTER


IX88260BSCD / A88262









O Rapaz da Camisola Verde - Frei Hermano da Câmara


O Rapaz da Camisola Verde

Frei Hermano da Câmara

Composição: Pedro Homem de Mello

De mãos nos bolso e de olhar distante, Jeito de marinheiro ou de soldado, Era um rapaz de camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Perguntei-lhe quem era e ele me disse “Sou do monte, Senhor, e um seu criado”. Pobre rapaz de camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.Porque me assaltam turvos pensamentos? Na minha frente estava um condenado. Vai-te, rapaz da camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço, Indiferente à raiva do meu brado, E ali ficou de camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.Soube depois ali que se perdera Esse que só eu pudera ter salvado. Ai do rapaz da camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Ai do rapaz da camisola verde, Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado. Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.Negra madeixa ao vento, Boina maruja ao lado.






terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

«A ALBERT CAMUS» - FERNANDO MONIZ LOPES




NOVO RUMO
FERNANDO MONIZ LOPES
POESIAS
PORTO - JULHO  1966


A ALBERT CAMUS

Abriste a dura estrada no deserto
Sem te deixares seduzir pela miragem;
Por isso foi mais longo o teu caminho
Mas o rumo mais certo.
E essa enorme viagem
Que tu não terminaste
Vamos nós continuá-la
E à estrela que olhaste












quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Estátua do Torso Arcaico de Apolo, de Rilke

Torso arcaico de Apolo


Não sabemos como era a cabeça, que falta,
de pupilas amadurecidas. Porém
o torso arde ainda como um candelabro e tem,
só que meio apagada, a luz do olhar, que salta e brilha.

Se não fosse assim, a curva rara
do peito não deslumbraria, nem achar
caminho poderia um sorriso e baixar
da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.

Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
pedra, um desfigurado mármore, e nem já
resplandecera mais como pele de fera.

Seus limites não transporia desmedida
como uma estrela; pois ali ponto não há
que não te mire. Força é mudares de vida.

R. M. RILKE

domingo, 15 de fevereiro de 2009

«A GLÓRIA»

A GLÓRIA

Alexandre Magariños Cervantes Tradução de Fernando Pessoa

Avante!... sempre avante!... nada importa Que, rasgando o dossel do céu ingente Qual flamígera nuvem, véu ardente Ameace o universo devorar; Avante!... sempre avante!... nada importa Que zumba o furacão, e em fero embate O raio tremebundo se desate, E em seus fundos abismos ruja o mar!
Não importa que em louco torvelinho Se despenhe tremenda a catarata, E cubra com o seu lençol de prata O plaino e o bosque até ao seu confim.
Sob o pé do viageiro audacioso Não importa que a terra trema ou ceda, Que não encontre rasto nem vereda Que da viagem o conduza ao fim.
E avante seguirá, e sempre avante! Cruzando sempre com crescentes brios Selvas, desertos, páramos e rios, Que absortos deixam a alma e o coração. O sol a prumo lançará seus raios Mas vão será que ao viajor assaltem Que incendeiem o ar, e na erva saltem Suas línguas de fogo em rebelião.
Ele impassível cruzará os braços, E ainda que um instante o aterre o fogo, O seu olhar altivo e firme logo No espaçoso horizonte cravará. E entre nuvens de cinzas escaldantes Pisando a terra que inda ardendo acha, Ser-lhe-á o incêndio gloriosa facha E atrás das chamas para diante irá.
Avante sempre!... Fétidas lagoas, Negros vapores que só morte exalam, Vampiros que com sangue se regalam, Insetos vis de peçonhento fel, Serpentes que anunciam-se ferindo, Magros tigres da selva nos horrores, E que da lua aos trêmulos fulgores Rugindo se aproximam em tropel;
Bárbara tribo que se oculta infida E ao cristão vingativa morto deixa Com a veloz envenenada flecha Que silva, fere, passa e não se vê: Nada amedronta nem detém o forte Varão no seu caminho agro e divino;
Pode prostrá-lo ali o seu destino... Mas não forçá-lo a desviar o pé!
Um impulso secreto, um misterioso Instinto que seus passos firme rege, O arrebata, o impele e o dirige Para a sua missão, triste ou feliz.
E cai, e se levanta, e cai de novo, E outra vez se levanta inda mais forte, E segue sem temer para o seu norte, O peito sossegado e alta a cruz.
Talvez por prêmio do afã seu, ao grato Porto da sua ansiada esp'rança chegue, E que ao vindouro o seu nome legue Coberto de uma auréola divinal. E talvez o demônio -cujo esforço E p'ra que o gênio ou o ardor sucumba- Dê à sua ânsia prematura tumba E ao seu nome o olvido perenal.
Deste modo é a glória!... os que a perseguem A juventude imolam-lhe nas aras, Ditas, prazeres, e quimeras caras, Quanto entesoura a alma e o coração. Assim somente se fecunda e brota E se entreabre seu espinhoso lírio; Porque a glória é, ou nada, ou o martírio, É do anjo proscrito a expiação!
Enquanto o homem vive, ela lhe pede A seiva toda da existência sua, E faz que ardente sem cessar reflua Pela frágua do tempo o seu porvir - O porvir que não chega senão quando A alma quebra a escravidão terrena E se levanta à região serena Entre nuvens de rosa e de safir.
Vem a glória depois, a virgem casta, Que foge do homem quanto mais a implora, E em seu sepulcro se lhe entrega e chora Porque vivendo lhe negou o amor: A terra beija que seus restos cobre, E o puro pranto que abundoso verte Em luz e aromas e lauréis converte O lodo vil que só causava horror.