sexta-feira, 10 de abril de 2009

«PISAR O RISCO: ARRISCAR OU DESARRISCAR?!..»

Leonor Abramovic Clã
Tira Teima second life search


Baby you're all that I want
When you're lyin' here in my arms
I'm findin' it hard to believe
We're in heaven
And love is all that I need
And I found it there in your heart
It isn't too hard to see
We're in heaven

I've bin waitin' for so long
For something to arrive
For love to come along

Now our dreams are comin' true
Through the good times and the bad
I'll be standin' there by you

Do Livro de Cesário Verde - O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL



Do Livro de Cesário Verde

O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL


IV Horas Mortas

O tecto fundo de oxigénio, d´ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vem lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.

E eu sigo, como as linhas de uma pauta,
A dupla correnteza augusta das fachadas;
Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,
As notas pastoris de uma longínqua flauta.

Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!

Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis,
Pousando, vos trarão a nitidez às vidas!
Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas,
Numas habitações translúcidas e frágeis.

Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!

Mas se vivemos, os emparedados,
Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...
Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas
E os gritos de socorro ouvir estrangulados.

E nestes nebulosos corredores
Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas;
Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas,
Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores.

Eu não receio, todavia, os roubos;
Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes;
E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,
Amareladamente, os cães parecem lobos.

E os guardas, que revistam as escadas,
Caminham de lanterna e servem de chaveiros;
Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros,
Tossem, fumando, sobre a pedra das sacadas.

E, enorme, nessa massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!



quinta-feira, 2 de abril de 2009

«O CÍRCULO HERMÉTICO» - «A INDIVIDUAÇÃO»


«-Porque estou aqui?digo, dirigindo as palavras lentamente para Hermann Hesse. Porque tenho a felicidade de encontrar-me em sua casa, comendo em sua companhia, vindo de tão longe?
Hesse conserva seu semblante hierático e sem sair da luz invernal que o envolve, responde:
-Nada sucede por casualidade; aqui só se encontram os convidados certos: este é o - CÍRCULO HERMÉTICO - ...»( MIGUEL SERRANO, «O CÍRCULO HERMÉTICO» - HERMANN HESS A C.G. JUNG ).

Até hoje o operário de destinos chega a nós e diz: «Sou FÉDOR MIKHAILOVITCH DOSTOIEVSKI. Permita-me entrar e mostrar-lhe as muitas vidas que arranquei da minha vida. Seremos «um», nos porões da inquietude.»

Na PSICOLOGIA COMPLEXA, designação que CARL GUSTAV JUNG escolheu para a sua explicaçao do HOMEM na fase em o seu sistema se tornou mais teórico, DEUSES=ARQUÉTIPOS DO INCONSCIENTE=DOMINANTES PSÌQUICOS ; NO FUNDO DE TI=INCONSCIENTE COLECTIVO, separado do EU pela SOMBRA; DESPERTAM, ACORDAM=CONFRONTO COM OS ARQUÉTIPOS.---«É uma experiência inquietante...»

Les dieux des anciens ne sont pas morts,/Au fond de toi-même ils sommeillent/Et en tes rèves ils s éveillent ( Os deuses dos antigos não estão mortos,/No fundo ti mesmo estão adormecidos,/E nos teus sonhos despertam ).
A angústia não é nada de supérfluo no drama da existência. Pertence às mais profundas estruturas do eu dinâmico e é um dos factores essenciais da realização da nossa vocação de seres comprometidos no tempo. É o estímulo que nos impede de parar no meio do caminho e de nos satisfazermos com qualquer êxito obtido...
Para sair da tal duração inexorável teremos de abandonar explicações demasiado redutoras, porque dando quase só importância à causa eficiente, o que leva a tudo encarar num nexo causa-efeito ( FREUD ) é necessário, antes, afirmar com JUNG( e também ADLER ) que a perturbação psíquica é um acto positivo e criador, que a sua motivação directora...não pode ser senão a marcha para a auto-realização ( «INDIVIDUAÇÃO» )...
Quando JUNG se refere, algures na obra «DIALÉCTICA DO EU E DO INCONSCIENTE», ao problema da INDIVIDUAÇÃO, isto é, o esforço do homem para se tornar ele próprio, para se tornar o que é, ou melhor o que poderia ser, diz que é a realização da ideia vital que não pode existir em cada um de nós senão uma só vez!...


«O DEDO LEVANTADO»




O DEDO LEVANTADO

O Mestre Dyu-Dschi era-conforme nos contam-
de maneiras caladas,suave e tão modesto,
que renunciou às palavras e aos ensinamentos
porque a palavra é aparência
e evitar qualquer aparência
era sua preocupação.
Quando os alunos,os monges e noviços
apreciavam brilhar em conversas elevadas
com ditos espirituais sôbre o supremo anseio,
sôbre o porquê do mundo, ele os observava em silêncio
evitando qualquer exagero.
E quando lhe perguntavam,
vaidosos ou sérios,
sobre o significado das escrituras antigas,
sobre o nome de Buda,a iluminação,
o princípio e o fim do mundo,permanecia
em silêncio e,lentamente,apontava apenas
com o dedo levantado para o alto.
E com este sinal mudo,convincente,
foi-se tornando cada vez mais terno:
advertiu, ensinou, elogiou, castigou, indicou
de maneira tão própria o coração do mundo
e da verdade que,com os anos,
mais de um discípulo compreendeu o delicado
levantar do seu dedo
despertou e estremeceu.

in, «O CÍRCULO HERMÉTICO» - «HERMANN HESSE A C. G. JUNG»
MIGUEL SERRANO, Brasiliense )


terça-feira, 31 de março de 2009

AO A. C. F. - POR LUIS BOAVIDA



AO A. C. F. - POR LUIS BOAVIDA


                                                                   Carrega os livros                                                                    como o Menino,                                                                    às palavras dando                                                                    o melhor de si.                                                                    Do alto da sua                                                                    calva de monge                                                                    observa esse                                                                    peso de saber:                                                                    que piedade                                                                    pelos braços,                                                                    quanta dor                                                                    para tão pouco.


                                                                  LUIS BOAVIDA

                                                                 

quarta-feira, 25 de março de 2009

VIVI


Єxisтє sємþrє ησ мµηđσ,
µмα þєssσα qµє єsþєrα α σµтrα.
Sєjα ησ мєiσ đє µм đєsєrтσ
σµ ησ мєiσ đαs grαηđєs ciđαđєs.

Є qµαηđσ єsтαs þєssσαs sє crµzαм,
є σs sєµs σlhσs sє єηcσηтrαм,
тσđσ σ þαssαđσ є тσđσ σ fµтµrσ
þєrđєм qµαlqµєr iмþσrтâηciα ...

Є só єxisтє αqµєlє мσмєηтσ,
є αqµєlα cєrтєzα iηcrívєl, đє qµє
тσđαs αs cσisαs, đєвαixσ đσ Sσl fσrαм
єscriтαs, þєlα мєsмα мãσ ...

Ą мãσ qµє đєsþєrтα σ αмσr !
Є qµє fєz µмα αlмα gêмєα
þαrα cαđα þєssσα.
Pσrqµє sєм isтσ, ηãσ hαvєriα
qµαlqµєr sєηтiđσ,
þαrα σs sσηhσs đα rαçα hµмαηα ...

-Pαµlσ Cσєlhσ-


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