Hieronymus Bosch (1460-1516), Cristo Levando a CruzTeorias, meu amigo, são cinza, mas verde é a eterna árvore da vida. «Fausto» de Goethe
sábado, 6 de junho de 2009
PARA LÁ DO HORIZONTE - REGINA SARDOEIRA
Hieronymus Bosch (1460-1516), Cristo Levando a Cruz«FERNANDO PESSOA» - POEMA A MIM DEDICADO A QUANDO DA MINHA RECEPÇÃO NA SANTA IGREJA ROMANA - LUIS REIS ( TEÓLOGO ORTODOXO )
Ao Alberto,
Irmão agora ungido pelo Santo,
doravante ainda mais temido
por todo vil inimigo da Igreja amada,
Filho inquieto da Pátria fiel
que ora nos chama a ser futuro,
Amigo do peito,
Pai de minha consciência pátria,
dedico comovido
e com um abraço muito apertado,
estes ecos inspirados de minha
alma.
17.05.81
FERNANDO PESSOA
Ao Alberto Castro Ferreira
Poeta,
vero poeta todo ele,
do alto extremo ao extremo baixo,
por Orfeu divino musalmente bafejado.
Em privilégio inspirado plo destino sempre foi,
que bem ou mal fadado pelo Fado
bem cumpriu.
Mago do verbo luso,
não ditoso pátrio dizente de tão alto génio
fatiloquamente ancorado às distâncias nele perto,
de outrém remotas,
a viver foi ele, em vida, abandonado anacoreta,
lá por florestas virginais, por ele só sabidas,
repassadas por inauditos sonidos,
fonia arcânica além da morte dos silêncios,
tal nunca ouvidos.
Existido ente em drama único, multíviasmáscaras,
coabitantes personagens paralelas
que a padecer a vida foram em igual morada,
,
a mesma e só a veraz e sua:
perdida lhe aparece então,
e de tão almejada, o heróico peito lhe aquece.
A sós e sempre a sós sofrendo,
ele era multifário solitário que se vivia pra seu amado Portugal se ir fazendo.
Em ânsias de frémito saturado,
a face ele buscou, de desejado e de encoberto,
em sede quente, pra lá de nomes e de máscaras.
E na peleja e no recontro,
sarando-se em batalha de vida ou nada, não vencida, não perdida,
a reachou, que a já houvera, oca embora,
por não tal suposta ;
oca do muito, demasiado tudo
que em ele houvera e não ficara,
que a ser bastante ainda não chegara para o alguém ignoto de todo outro
e também de si.
Dos ramos seus desentroncados,
plo externo verso aquém da seiva sua,
desceu ao estar arbóreo de seu ser no mundo,
directo ao hiperbóreo jeito em seu estar profundo,
arborizado por bosques perdidos e jardins esquecidos,
nu já porém das dele muitas folhas que caíram,
folhas doridas, outonais e amarelas
que plo potente vendaval, impessoal e indiferente,
foram varridas, todas elas, em piedade quase nula,
sem pejo algum que além do ver dos olhos
bem se visse.
Cala nele o dito do mistério, flor desfolhada no infante virgem
cujo fruto a esfinge oracular ser se mostrou do Portugal por vir.
Diz,
e o limite lho desdiz
tão afável, inefável paradoxo
da ora nascitura, ora moribunda, palavra incendiada
no altar alado da boca do poeta,
que a morrer-nos mais parece sempre estar,
ao desvelar em um lamento lasso do atento rosto
o que antes é velante revelado
à ofuscada em espanto vista do vidente,
cheia de olhos, universos feitos,
estátuas finais do derradeiro
místico mito ressurrecto.
o que vê e escuta, ele prescruta e a dizê-lo todo nunca chega.
A nós diz-nos apenas, e muito é,
que o dito não é o visto em audiência nem todo o visto no segredo
à vidência lá é dito,
sussurrado ao hirto ouvido,
no poema encoberto e sempre oculto
do Poeta destarte adulto
pelo verbo dito.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
«CAPAS»


Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fatuo encerra.
Ninguem sabe que coisa quere.
Ninguem conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
A QUEM ME QUER

Onde andará o meu Amigo só
que pedra em flor pisando
no caminho?
Gótica a agulha do silêncio ao alto
longe quem passa perto não a vê
eu perto a vejo de tão longe
quando
Onde andará o meu Amigo só
trepando às fontes derrubando
cantos?
Como quem tece um vento de memória
e dele se despede ou só da teia
não sobrevivo à minha vida
quando
Poema: Maria Alberta Menéres
PARA MADA
Brincávamos na areia. Os nossos passos
eram naqueles dias a cadência
a música do sol
Ó estilhaços do tempo ainda vivos
projectados num filme que regressa
ao ritmo das ondas
e fica ao nosso alcance, até ao fim
da tarde pouco a pouco devorada
pla sombra desses toldos
dunas esquivas e pinhais
tão perto do que foi a minha infância
entre o riso dos primos e o mar
amigo de Brandão de António Nobre
batido pla nortada
Brincávamos na areia. como eu queria
roubar de novo a luz a essas praias
jogar ao prego, adivinhar
nas vozes infantis algum presságio
do céu ou do inferno - uma certeza
para sempre fiel a esse mundo
Poema: Fernando Pinto do Amaral
quarta-feira, 3 de junho de 2009
MAIO






