sábado, 20 de junho de 2009

GENTILEZA DE NINA



La Carmen está bailando
por las calles de Sevilla.
Tiene blancos los cabellos
y brillantes las pupilas.

¡Niñas,
corred las cortinas!

En su cabeza se enrosca
una serpiente amarilla,
y va soñando en el baile
con galanes de otros días.

¡Niñas,
corred las cortinas!

Las calles están desiertas
y en los fondos se adivinan,
corazones andaluces
buscando viejas espinas.

¡Niñas,
corred las cortinas!


Frederico Garcia Lorca

✿ܓ✿ܓ✿ܓ✿ܓ✿ܓ✿ܓ

Um Beijinho
NinA Blue


sexta-feira, 19 de junho de 2009

quarta-feira, 17 de junho de 2009

GENTILEZA DE MADA


Gosto de ouvir
isto...

http://www.youtube.com/watch?v=9FBD0OZaX5o

Gostei muito de lêr o ESPIRITO DO TEMPO
de JUNG.
Obrigado.


Uma poesia que te deixo...

Redondilhas com Varanda



Visto-me de lume
na varanda nua
e caio de braços
na concha da rua.

Sangue derramado
neste chão imundo
mata a sede às pedras
e às raivas do mundo.

Náufrago imperfeito
agarrado à lua
com olhos de prata
nas trevas da rua.

Pombas ou gaivotas
na varanda a poente
o mar é a terra
e o céu está na gente.

Poema: Maria Almira Medina




GENTILEZA DE DOMINIQUE SANTOS


Hino à Alegria

Tenho-a visto passar, cantando, à minha porta,
E às vezes, bruscamente, invadir o meu lar,
Sentar-se à minha mesa, e a sorrir, meia morta,
Deitar-se no meu leito e o meu sono embalar.

Tumultuosa, nos seus caprichos desenvoltos,
Quase meiga, apesar do seu riso constante,
De olhos a arder, lábios em flor, cabelos soltos,
A um tempo é cortesã, deusa ingénua ou bacante...

Quando ela passa, a luz dos seus olhos deslumbra;
Tem como o Sol de Inverno um brilho encantador;
Mas o brilho é fugaz, — cintila na penumbra,
Sem que dele irradie um facho criador.

Quando menos se espera, irrompe de improviso;
Mas foge-nos também com uma presteza igual;
E dela apenas fica um pálido sorriso
Traduzindo o desdém duma ilusão banal.

Onda mansa que só à superfície corre,
Toda a alegria é vã; só a Dor é fecunda!
A Dor é a Inspiração, louro que nunca morre,
Se em nós crava a raiz exaustiva e profunda!

No entanto, eu te saúdo e louvo, hora dourada,
Em que a Alegria vem extinguir, de surpresa,
Como chuva a cair numa planta abrasada,
A fornalha em que a Dor se transmuta em Beleza!

Pensar, é certo, eleva o espírito mais alto;
Sofrer torna melhor o coração; depura
Como um crisol: a chispa irrompe do basalto,
Sai o oiro em fusão da escória mais impura.

A Alegria é falaz; só quem sofre não erra,
Se a Dor o eleva a Deus, na palavra que O louve;
A Alma, na oração, desprende-se da terra;
Jamais o homem é vão diante de Deus que o ouve!

E contudo, — ilusão!—basta que ela sorria,
Basta vê-la de longe, um momento, a acenar,
Vamos logo em tropel, no capricho do dia,
Como ébrios, evoé! atrás dela a cantar!

Mas se ela, de repente, ao nosso olhar se furta,
Todo o seu brilho é pó que anda no sol disperso;
A Alegria perfeita é uma aurora tão curta,
Que mal chega a doirar as cortinas do berço.

Às vezes, essa luz, de tão frágil encanto,
Vem ainda banhar certas horas da Vida,
Como um íris de paz numa névoa de pranto,
Crepitação, fulgor duma estrela perdida.

Então, no resplendor dessa aurora bendita,
Toma corpo a ilusão, e sem ânsias, sem penas,
O espírito remoça, o coração palpita
Seja a nossa alma embora uma saudade apenas!

Mas efémera ou vã, a Alegria... que importa?
Deusa ingénua ou bacante, o seu riso clemente,
Quando, mesmo de longe, ecoa à nossa porta,
Deixa em louco alvoroço o coração da gente!

Momentânea ou falaz, é sempre um dom divino,
Sol que um instante vem a nossa alma aquecer...
Pudesse eu celebrar teu louvor no meu Hino!
Momentâneo, falaz encanto de viver!

O teu sorriso enxuga o pranto que choramos,
E eu não sei traduzir a ventura que exprimes!
Nesta sentimental língua que nós falamos,
Só a Dor e a Paixão têm acordes sublimes!

António Feijó, in 'Sol de Inverno'

terça-feira, 16 de junho de 2009

TERNURAS DA MADA


Prólogo



Fui avestruz. Sou ruminante
De seiva lírica. A pastagem,
Outrora verde e abundante,
Está queimada da estiagem.

Olhar o céu límpido e mouco
Não vale mais do que o que foi.
A água tarda. O pasto é pouco.
A fome rói.

Ah, se uma lágrima bastasse
Pra encher de viço esta secura!
Sinto-a a escorrer-me pela face
Futura.

António Manuel Couto Viana


Beijinhos e Um Bom Dia Alberto.

Madalena

Poente

Há uma profusão furiosa de final.
Para morrer em triunfo a multidão é apta.
Irrompe entre carmins um ímpeto animal.
A maravilha invade e violenta nos rapta.

Poema: Eugénio de Andrade


sábado, 6 de junho de 2009

De «DIÁRIO DE MIGUEL TORGA» do XII Volume



COIMBRA,19 de Julho de 1974-Tem sido de caixão à cova.Pobre país! E o que estará ainda para vir! Mas não posso,nem quero,perder o pé na pátria. Terei de enfrentar o absurdo desta hora infeliz mesmo com ganas de voltar costas a tanto e tanto desconcerto. O pacto que assinei não foi com o azar das circunstâncias. Foi com a terra portuguesa. E continuo a sentir a terra debaixo dos pés,e a poesia continua a cantar dentro de mim. O meu espaço de liberdade é o mapa de Portugal subendendido na folha de papel onde escrevo.
COIMBRA,7 de Abril de 1975-Os estrebuchões que a pátria dá no hospital revolucionário a que a reduziram! Necessitada de uma clarividente terapêutica revitalizadora, ninguém esperava vê-la do pé para a mão transformada de norte a sul num desesperado corpo convulsivo. Mas somos assim:ou tudo ou nada. Ou amodorrados numa sonolência de morte,ou possuídos de uma agitação frenética. Ou catalépticos,ou atacados da doença de S. VITO.O espéctáculo que damos neste momento ao mundo não é o de um povo que se esfoça por actualizar ousada e sensatamente a sua vida retrógrada.É o de um manicómio onde enfermeiros improvisados e atrevidos submetem nove milhões de concidadãos a um electro-choque aberrante e desumano.
-Bragança, 1 de Maio de 1975-Pareço um fiscal a percorrer a pátria.Passo por Foz Côa,e apresso-me a ir ver se a igreja manuelina ainda se aguenta nos alicerces;chego aqui,e subo ao castelo,entro na Domus Municipalis,visito o museu,de coração apertado,não as tenha o diabo tecido;amanhã em Miranda,Deus sabe as desilusões que me esperam na rua da Costanilha.É que o Portugal que valia a pena,o Portugal original,o Portugal de rosto singular,está por um fio.Em cada terra resta apenas um vestígio.E são esses fragmentos de uma fisionomia própria que inventario incansávelmente.É com eles que os vindouros poderão reconstruir a nação que já houve.Lineu partiu também de um simples osso...
COIMBRA,20 de Junho de 1975-Estranha revolução esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou. A mais imunda vasa humana a vir à tona,as invejas mais sórdidas vingadas, o lugar imerecido e cobiçado tomado de assalto,a retórica balofa a fazer de inteligência. Mas teimo em crer que apesar de tudo valeu a pena assistir ao descalabro. Cuidavam que combatiam pelo futuro e,na verdade,assim acontecia,mas apenas na medida em que o sonhavam como se ele tivesse de ser coerente com a dignidade do seu passado de lutadores. O trágico é que um futuro sonhado não passa de uma ficção. O tempo é o lugar do inédito. O futuro autêntico é sempre misterioso e autónomo das premissas de que partiu. Quando chega,traz os seus valores,as suas leis,a sua gente,nem boa nem má. Traz os títeres que lhe convêm.Ou pior:os títeres a quem a hora convém.
Chaves,11 de Setembro de 1975
Pátria sem rumo,minha voz parada
Diante do futuro!
Em que rosa-dos-ventos há um caminho
Português?
Um brumoso caminho
De inédita aventura,
Que o poeta,adivinho,
Veja com nitidez
Da gávea da loucura?
Ah, Camões, que não sou, afortunado!
Também desiludido,
Mas ainda lembrado da epopeia...
Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe o mel!...
Ah, meu pobre corcel
Impaciente,
Alado
E condenado
A choutar nesta praia do Ocidente...


BLOQUEIO - REGINA SARDOEIRA



BLOQUEIO

BLOQUEIO
BLOQUEIO
BLOQUEIO
QUASE INSANIDADE
ESTE QUERER DIZER O INDIZÍVEL
E APESAR DE TUDO CALAR O DIZÍVEL
E BLOQUEIO
SÓ BLOQUEIO
POR ONDE ANDA A FLECHA
CAPAZ DE FENDER A NUVEM
E O ESPANTO
CAPAZ DE SENTIR A TORTURA
DO QUERER SABER
DO QUERER TER?

REGINA SARDOEIRA