Teorias, meu amigo, são cinza, mas verde é a eterna árvore da vida. «Fausto» de Goethe
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
GENTILEZA DE NINA
FIQUEI PENSANDO QUANTAS VEZES
FICAMOS LHE INCOMODANDO
COM PEDIDOS DE AJUDA PARA ACALMAR NOSSOS CORAÇÕES.
QUANTAS VEZES ESTAMOS TÃO ENVOLVIDOS
EM NOSSOS CONFLITOS,
SEM ENCONTRARMOS CAMINHOS QUE NOS TRAGAM CALMA,
TRANQÜILIDADE E SUPLICAMOS À VOCÊ UM AMPARO.
DENTRO DESTE TURBILHÃO DE SENTIMENTOS, NOS ESQUECEMOS DE OLHAR E PERCEBER A IMENSIDÃO DO
AZUL QUE NOS ACOMPANHA TODO O TEMPO, EM TODOS OS LUGARES POR ONDE ANDAMOS,
EM TODOS OS CAMINHOS QUE PERCORREMOS.
ESTE GRANDE AZUL !
SILENCIOSO, COR DA TRANQÜILIDADE,
COM NUVENS BRANCAS, LEVES, MACIAS, COR DA PAZ !
SE FIXARMOS UM POUCO NESTA PAISAGEM INFINITA,
PERCEBEMOS QUE DE INTERVALOS À INTERVALOS, UM PÁSSARO SOBREVOA POR ENTRE ESTE AZUL, COMO QUE NOS ENSINANDO QUE UM SER VIVO TAMBÉM PODE ENTRAR NESTA PAISAGEM E USUFRUIR DO QUE ELA NOS OFERECE.
QUE PRESENTE LINDO VOCÊ NOS DEU, PAI !
COMO SOMOS TÃO CEGOS A PONTO DE NÃO PERCEBERMOS QUE SOMOS AJUDADOS A TODO INSTANTE,
EM QUALQUER HORA E LUGAR !
E VOCÊ,
PAI DA CALMA E DO AMOR,
SEMPRE EM SEU SILENCIO,
SABENDO DE NOSSA CEGUEIRA,
APENAS ESPERA.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
«EPÍGRAFE PARA A ARTE DE FURTAR» - MÚSICA: ZECA AFONSO . - LETRA: JORGE DE SENA .

"A arte de furtar para proveito de amigos" e´uma velha fórmula de Platão em A República para denunciar a corrupção vigente
"Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei?
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Sempre há quem roube
Quem eu deseje
E de mim mesmo
Todos me roubam
Quem cantarei?
Quem cantarei?
Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei'
Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei?
Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo
Aqui d'El Rei!"
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
GENTILEZA DE FLORBELA FERRÃO
que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos
que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens
e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso
E. E. Cummings, in "livrodepoemas"
Tradução de Cecília Rego Pinheiro
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
GENTILEZA DE MADA
HÁ SOL NA RUA
Há sol na rua
Gosto do sol mas não gosto da rua
Então fico em casa
À espera que o mundo venha
Com suas torres douradas
E as suas cascatas brancas
Com suas vozes de lágrimas
E as canções das pessoas que são alegres
Ou são pagas para cantar
E à noite chega um momento
Em que a rua se transforma noutra coisa
E desaparece sob a plumagem
Da noite cheia de talvez
E dos sonhos dos que estão mortos
Então saio para a rua
Ela estende-se até à madrugada
Um fumo espraia-se muito perto
E eu ando no meio da água seca
Da água áspera da noite fresca
O sol voltará em breve
BORIS VIAN (1920-1959)
GENTILEZA DE NINA

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio da noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você.
Vinícius de Moraes


