sábado, 14 de novembro de 2009

GENTILEZA DE MENA


Um caminho de palavras...

Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sol
e pelo sol me ligo a mim

E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe

Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.

“António Ramos Rosa”

GENTILEZA DE MARIAMAR RIBEIRO


AMIGO DE VERDADE

Sou a voz desesperada que grita no deserto. E tu amigo, me encontrastes. Em tua mente encontro espaço. Em teu coração faço morada. Compartilho contigo meus anseios. Te faço conhecer os meus sonhos. Por ti, me transformo num exército. Só para te defender. Se me chamas. Estou pronto a te servir. Não há muros nem barreiras. Para separar nossa amizade. Se tu estás triste, choro contigo. Se tu estás feliz, me alegro contigo. Se vais para a guerra, serei a linha de frente. Se páras de guerrear, serei a bandeira branca. Sou confissão, sou ouvidos. Sou aquele que te estende a mão. Sou aquele que compartilha. O momento e a decisão. Mas se não fosse nada disso. Seria apenas um simples amigo. Atento a qualquer reação. Sou seu amigo, de coração.
(Autor: Clayton Montarroyos)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

GENTILEZA DE FLORBELA FERRÃO


Quem Somos

Quem somos, senão o que imperfeitamente
sabemos de um passado de vultos
mal recortados na neblina opaca,
imprecisos rostos mentidos nas páginas
antigas de tomos cujas palavras

não são, de certo, as proferidas,
ou reproduzem sequer actos e gestos
cometidos. Ergue-se a lâmina:
metal e terra conhecem o sangue
em fronteiras e destinos pouco

a pouco corrigidos na memória
indecifrável das areias.
A lápide, que nomeia, não descreve
e a história que o historia,
eco vário e distorcido, é já

diversa e a si própria se entretece
na mortalha de conjecturados perfis.
Amanhã seremos outros. Por ora
nada somos senão o imperfeito
limbo da legenda que seremos.

Rui Knopfli, in "O Corpo de Atena"


GENTILEZA DE NINA


Finalmente ganho coragem e ofereço
Um texto meu, aos meus amigos

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Mais perto do Céu


Já tinha um nome
Um nome de silêncio
não sei se será um nome azul
se será a fonte de águas cristalinas
não sei se será um nome de brisa
ou o mar…
mas sei que é o nome duma flor
cada vez que me beijas
e me chamas.

Em meus versos sempre
te chamei de amor
foi por este amor que vivi até hoje
foi por este amor que plantei as rosas
e lhes dei do meu perfume
foi por ele que pus no céu a lua cheia
que dancei na madrugada
foi po ele que abri a janela
para escutar-mos a flauta do pastor
foi por ele que abri minhas mãos morenas
e te ofereci meu coração

Agora tenho medo
medo que venhas à minha procura
e eu já não esteja aqui!

Mas se estiver…
toma-me na noite
sacia-te de mim e de luar
sorve alguns pingos de chuva
que ainda restarão
e beija-me nas estrelas
por isso te peço:
não me negues o teu beijo
e deixa-o escrito a tinta indelével
mesmo que eu já não esteja aqui,
porque só assim,
estarei mais perto do Céu…

NinA Blue

GENTILEZA DE NINA


Canto Esponjoso

Bela
esta manhã sem carência de mito,
E mel sorvido sem blasfémia.

Bela
esta manhã ou outra possível,
esta vida ou outra invenção,
sem, na sombra, fantasmas.

Humidade de areia adere ao pé.
Engulo o mar, que me engole.
Calvas, curvos pensamentos, matizes da luz
azul
completa
sobre formas constituídas.

Bela
a passagem do corpo, sua fusão
no corpo geral do mundo.
Vontade de cantar. Mas tão absoluta
que me calo, repleto.

Carlos Drummond de Andrade

GENTILEZA DE MARIAMAR RIBEIRO


Á vida sempre proporcionado algo de novo,

Mas nem sempre bom.

Lembrando de vários motivos,

Para manda flores pra você.

As mais lindas flores de todo jardim,

Mas nada comprado a você

Um manancial de flores para ti,

Flores sem fim,

GENTILEZA DE FLORBELA FERRÃO


Declaração de Amor


Ó maravilha! Voará ainda?
Sobe e as suas asas não se mexem?
Quem é então que o leva e faz subir?
Que fim tem ele, caminho ou rédea, agora?

Como a estrela e a eternidade
Vive nas alturas de que se afasta a vida,
Compassivo, mesmo para com a inveja...
E quem o vê subir sobe também alto.

Ó albatroz! Ó minha ave!
Um desejo eterno me empurra para os cimos
Pensei em ti e chorei.
Chorei mais e mais... Sim, eu amo-te!

Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"