Ao Alberto,
Irmão agora ungido pelo Santo, doravante ainda mais temido por todo vil inimigo da Igreja amada,
Filho inquieto da pátria fiel
que ora nos chama a ser futuro,
Amigo do peito,
Pai de minha consciência pátria,
dedico comovido
e com um abraço muito apertado, estes ecos inspirados de minha alma.
17-MAIO-1981
Poeta,
vero poeta todo ele,
do alto extremo ao extremo baixo, por Orfeu divino musalmente bafejado.
Em privilégio inspirado plo destino sempre foi, que bem ou mal fadado pelo Fado
bem cumpriu.
Mago do verbo luso,
não ditoso pátrio dizente de tão alto fatíloquamente ancorado às distâncias de outrem remotas,
a viver foi ele, em vida, abandonado anacoreta, lá por florestas virginais, por ele só sabidas, repassadas por inauditos sonidos,
fonia arcânica além da morte dos silêncios,
tal nunca ouvidos.
Existido ente em drama único, multívias máscaras,
coabitantes personagens paralelas
que a padecer a vida foram em igual morada,
,
a mesma e so, a veraz e sua :
perdida lhe aparece então,
e de tão almejada, o heróico peito lhe aquece. A sós e sempre a sós sofrendo,
ele era multifário solitário que se vivia pra seu amado Portugal se ir fazendo.
Em ânsias de frémito saturado,
a face ele buscou, de desejado e de encoberto, em sede quente, pra lá de nomes e de máscaras. E na peleja e no recontro,
sarando-se em batalha de vida ou nada, não vencida, não perdida,
a reachou, que a já houvera, oca embora, por não tal suposta ;
oca do muito, demasiado tudo
que em ele houvera e não ficara,
que a ser bastante ainda não chegara para o algum ignoto de todo outro
e também de si.
Dos ramos seus desentroncados,
plo externo verso aquém da seiva sua,
desceu ao estar arbóreo de sem ser no mundo,
directo ao hiperbóreo jeito em seu estar profundo, arborizado por bosques perdidos e jardins esquecidos, nu já porém das dele muitas folhas que caíram,
folhas doridas, outonais e amarelas
que plo potente vendaval, impessoal e indiferente, foram varridas, todas elas, em piedade quase nula, sem pejo algum que além do ver dos olhos
bem se visse.
Cala nele o dito do mistério, flor desfolhada no infante virgem
cujo fruto a esfinge oracular ser se mostrou do Portugal por vir.
Diz,
e o limite lho desdiz
tão afável, inefável paradoxo
da ora nascitura, ora moribunda, palavra incendiada no altar alado da boca do poeta,
que a morrer-nos mais parece sempre estar,
ao desvelar em um lamento lasso do atento rosto o que antes évelante revelado
à ofuscada em espanto vista do vidente, cheia de olhos, universos feitos, estátuas finais do derradeiro
místico mito ressurrecto.
o que vê e escuta, ele prescruta e a dizê-lo todo nunca chega.
A nós diz-nos apenas, e muito é,
que o dito não é o visto em audiência nem todo o visto no segredo
à vidência lá é dito,
sussurrado ao hirto ouvido,
no poema encoberto e sempre oculto do Poeta destarte adulto
pelo verbo dito.