quarta-feira, 7 de julho de 2010

POEMA INÉDITO DE JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES

POEMA INÉDITO DE
JOSÉ ANTÓNIO GONÇALVES


MANUAL DE APRENDIZ

saberei qual o uso da estrada clara
se adquirir o hábito de navegar
nos mares dos becos escuros?,
aflição de quem nunca saiu de casa



os caminhos limarão as pedras
e amaciarão por vontade própria
o seu tapete no andar do viandante?,
dúvida de andarilho inexperiente



o amanhã é uma incógnita permanente
para a preguiça dos desprevenidos
pois os sábios aprendem a divisar
no horizonte a sombra das surpresas



o belicoso procura sedento a contenda
e o pacífico contenta-se em construir
a serenidade no pátio das escolhas
onde foi alicerçando cada dia da vida




o amor duradouro apenas se descobre
percorrendo as longas e cruas distâncias
do começo até aos limites da sobrevivência
no cavar fundações com a delicadeza da brisa
sob a protecção única da consciência

A UMA BICICLETA DESENHADA NA CELA


A UMA BICICLETA DESENHADA NA CELA

Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.

Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido...

Bem haja a mão que te criou!

Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.

Luis Veiga Leitão

INCOMUNICABILIDADE

INCOMUNICABILIDADE

Caneta, lápis, papel
e lâmina de ponta de lua
um autómato do bolso me tirava...
Depois a minha mão ficou nua
da vestimenta que usava.

Mas deram-me uma tinta preta
(nuvem negra dum fogo posto)
e meteram-me no tinteiro...
Na tinta, afogo as mãos, o rosto,
o meu corpo inteiro:

A força, o canto, a voz que encerra,
ninguém, ninguém pode afogar
- como as raízes da terra
e o fundo do mar.

Luis Veiga Leitão

INCOMUNICABILIDADE

INCOMUNICABILIDADE

Caneta, lápis, papel
e lâmina de ponta de lua
um autómato do bolso me tirava...
Depois a minha mão ficou nua
da vestimenta que usava.

Mas deram-me uma tinta preta
(nuvem negra dum fogo posto)
e meteram-me no tinteiro...
Na tinta, afogo as mãos, o rosto,
o meu corpo inteiro:

A força, o canto, a voz que encerra,
ninguém, ninguém pode afogar
- como as raízes da terra
e o fundo do mar.

Luis Veiga Leitão

sábado, 3 de julho de 2010

´

Liberta em pedra


Livre, liberta em pedra.

Até onde couber

tudo o que é dor maior,

por dentro da harmonia jancente,

aguda, fria, atroz,

de cada dia.

Não importam feições,

curvas de seio e ancas,

pés erectos à luz

e brancas, brancas, brancas,

as mãos.

Importa a liberdade

de não ceder à vida

um segundo sequer.

Ser de pedra por fora

e só por dentro ser.

- Falavas? Não ouvi.

- Beijavas? Não senti.

Morreram? Ah, Morri, morri, morri!

Livre, liberta em pedra,

voltada para a luz

e para o mar azul

e para o mar revolto…

E fugir pela noite,

sem corpo, sem dinheiro,

para ler os meus santos,

e os meus aventureiros,

(para ser dos meus santos,

dos meus aventureiros),

filósofos e nautas,

de tantos nevoeiros.

Entre o peso das salas,

da música concreta,

de espantalhos de deuses,

que fará o Poeta?

(in Liberta em Pedra, 1964)

domingo, 16 de maio de 2010

GENTILEZA DE LETICIA MORALES MARTINEZ - PALPITAR


PALPITAR,
MIS ALAS ABIERTAS AL SOL,
PLACER, PLACER DE LA VIDA,
DULCE CALOR DE TU AMOR.

PALPITAR,
LOS DIAS Y NOCHES MI CORZON,
SOBRE ILUSION DE COLOR,
EL JARDIN LLENO DE AMOR

PALPITAR,
ENTRE SUEÑOS Y EL DESEO,
TU ENCUENTRO Y MI ENCUENTRO,
DESVELO DE ORO,CARICIAS AMOR.

PALPITAR,
LAS LUCES FUGACES DEL CIELO,
DESTELLOS LLENANDO
LA DICHA,
MI VIDA CRECE, BRINCA ETERNIDAD.

PALPITAR,
DOS CORAZONES VIVIENDO ROMANCE,
VIVIENDO EN EL TIEMPO,
PENSAMIENTO ABIERTO, "NUESTRO AMOR".

PALPITAR,
TOCANDO LA TIERRA Y EL VIENTO,
TU ALIENTO Y MI ALIENTO,
PALABRAS INMENSAS DE "AMOR.

FOREVER...LETICIA...!


terça-feira, 4 de maio de 2010

INCOMUNICABILIDADE - LUÍS VEIGA LEITÃO


LUÍS VEIGA LEITÃO



INCOMUNICABILIDADE



Caneta, lápis, papel
e lâmina de ponta de lua
um autómato do bolso me tirava...
Depois a minha mão ficou nua
da vestimenta que usava.

Mas deram-me uma tinta preta
(nuvem negra dum fogo posto)
e meteram-me no tinteiro...
Na tinta, afogo as mãos, o rosto,
o meu corpo inteiro:

A força, o canto, a voz que encerra,
ninguém, ninguém pode afogar
- como as raízes da terra
e o fundo do mar.

A UMA BICICLETA DESENHADA NA CELA




Nesta parede que me veste
da cabeça aos pés, inteira,
bem hajas, companheira,
as viagens que me deste.

Aqui,
onde o dia é mal nascido,
jamais me cansou
o rumo que deixou
o lápis proibido...

Bem haja a mão que te criou!

Olhos montados no teu selim
pedalei, atravessei
e viajei
para além de mim.