segunda-feira, 30 de agosto de 2010

´WE SHALL OVERCOME`


Década de sessenta ( hoje diz-se anos sessenta ), tanta esperança a da minha geração!
Prisão política, Caxias, Guerra Colonial, mas muita «esperança»!...
Na falta de Pete Seeger, ouço o que queria escutar, o cântico dos estudantes dos EUA, de Berkeley, de Columbia...na voz de bronze de JOAN BAEZ!
«WE SHALL OVERCOME», originalmente um Hino Baptista e que soou, ecoou em WOODSTOCK...
We shall overcome, we shall
overcome
We shall overcome someday
Here in my heart, I do believe
We shall overcome someday
We'll walk hand in hand, we'll walk
hand in hand
We'll walk hand in hand someday
Here in my heart, I do believe
We´ll walk hand in hand someday
We shall be in peace, we shall live
in peace
We shall live in peace someday
Here in my heart, I do believe
We shall live in peace someday
We are not afraid, we are not afraid
We shall overcome someday
Well here in my heart, I do believe
We shall overcome someday
We shall overcome, we shall
overcome
We shall overcome someday
Here in my heart, I do believe
We shall overcome someday
We shall overcome someday







AMIZADE


Amizade

Uma criança muito suja atira pedras a um cão. O cão
não foge. Esquiva-se e vem até junto da criança
para lhe lamber o rosto.

Há, depois, um abraço apertado, de compreensão e
de amizade. E lado a lado, com a mãozinha muito
suja no pescoço felpudo, lá vão, pela rua estreita,
em direcção ao sol.

António Salvado, in "Cicatriz"

A SENSIBILIDADE HUMANIZADA


A Sensibilidade Humanizada

Que lindos olhos de azúl inocente os do pequenito do agiota!
Santo Deus, que entroncamento esta vida!
Tive sempre, feliz ou infelizmente, a sensibilidade humanizada.
E toda a morte me doeu sempre pessoalmente,
Sim, não só pelo mistério de ficar inexpressivo o orgânico,
Mas de maneira directa, cá do coração.

Como o sól doura as casas dos réprobros!
Poderei odiá-los sem desfazer no sol?

Afinal que coisa a pensar com o sentimento distraído
Por causa dos olhos de criança de uma criança ...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

domingo, 18 de julho de 2010

´ CANTO DE MIM MESMO`


O falcão matizado desce velozmente e acusa-me, queixa-se da minha
tagarelice e ociosidade.

Eu também não fui domesticado, eu também não sou traduzível,
Lanço o meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo.

O último fulgor do dia permanece para mim,
Arremessa a minha imagem depois de todas, real como elas, sobre os
desertos, sobre as sombras,
Insinua-me no vapor e nas trevas.

Parto como o ar, sacudo os meus cabelos brancos sob o sol que foge,
Espalho a minha carne em remoinhos, espalho-a em desenhadas rendas.

Entrego-me ao húmus para crescer da erva que amo,
Se me queres ter de novo, procura-me debaixo da sola das tuas botas.

Dificilmente saberás quem sou ou o que significo,
Todavia dar-te-ei saúde,
E filtrando o teu sangue dar-te-ei vigor.

Se à primeira não me encontrares, não desanimes,
Se não estiver num lugar, procura-me noutro,
Algures estarei à tua espera.

WALT WHITMAN

quarta-feira, 7 de julho de 2010

GRUPO CESARINY


GRUPO CESARINY

"Em cima, da esquerda para a direita: Lima de Freitas, Mário Henrique Leiria, Eunice Muñoz, Fernando Alves dos Santos e Mário Cesariny de Vasconcelos. No plano inferior, da esquerda para a direita: Arthur do Cruzeiro Seixas, António Barahona e Diogo Caldeira"


´AS ILHAS AFORTUNADAS`


AS ILHAS AFORTUNADAS

Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
É a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.
E só se meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos,
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.
São ilhas afortunadas,
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando,
Cala a voz, e há só o mar,

«MENSAGEM»

Fernando Pessoa